Das Mädchen in Rot - Chpt 11 [Portuguese - BR]

Das Mädchen in Rot [Portuguese - BR]


Descrição:

Das Mädchen in Rot (Alemão: A Garota de Vermelho) é uma adaptação sombria da história original escrita por Charles Perrault e os Irmãos Grimm. A adaptação conta a história de Nella, uma jovem que vivia com sua família em uma tribo e cujo pai foi morto por um Ser-Lobo negro (é como as tribos chamam os lobisomens) enquanto ele e um amigo salvavam a jovem Nella. Após atingir a maioridade, Nella foi convocada para fazer parte de um culto onde as mulheres adultas vestem um manto vermelho e partem da tribo para a casa da Grande Mãe para receber a benção dos ancestrais, a fim de manter os Seres-Lobo longe da tribo. De acordo com a Anciã, a casa da Grande Mãe fica nas profundezas da floresta — o mesmo lugar onde os Seres-Lobo e outras criaturas terríveis espreitam, atacando os visitantes que se aventuram sem um pingo de cautela.

Meu segundo canal no Youtube:
Meus outros Blogspot:
Meu Instagram:

Note: Don't you dare to download these images and re-share it without my permission. If you do, please, leave the original author name.

Introdução:

Há cerca de quinze Luas Cheias, uma antiga tribo vivia numa região onde viria ser uma floresta. Essa tribo era conhecida por venerar uma entidade mística cuja forma lembra um lobo.

Quando a primeira Lua Vermelha surgiu no céu, o povo daquela tribo começou a se transformar na imagem da entidade. Ninguém sabia o que aconteceu para eles se tornarem a imagem da entidade, mas diziam que o vento carregava vários uivos pelo mundo inteiro.

Uma noite, um pequeno grupo de caçadores adentraram na floresta à procura de comida. E quando avistaram o primeiro cervo para levá-lo à tribo, um enorme vulto apareceu e devorou três dos caçadores que entraram naquele lugar, restando apenas um deles para contar o que aconteceu. Ele disse que a criatura que matou os outros que foram com ele tinha a forma de um homem, mas a cabeça e pelos de um lobo.

E foi naquele dia que a tribo passou a temer a criatura lobo que atacou o nosso povo na floresta.

Capítulo 11

Tudo ao redor dos viajantes e da loba ficou sinistro com a presença do Lobisomem de Pelos Negros, o monstro que matou o pai de Nella e mais algumas outras vítimas antes dele. Ele foi a única coisa que conseguiu alcançá-los até a caverna na qual residia a espada Matador de Lobos.

Os olhos de William se arregalaram de horror. Nella estava horrorizada em vê-lo outra vez, com as imagens do tempo em que era uma menininha que se perdeu na floresta e o pai dela ficou para salvá-la.

“Você!” disse William, assustado e com o coração quase querendo pular pra fora da boca.

Castanho, eu sempre soube que você pretendia chegar aqui, neste lugar amaldiçoado. Ainda mais com a garota humana.” respondeu o monstro de pelos negros.

Nella, Hvit e William recuaram à medida que ele avançava. Eles estavam assustados. O tamanho imenso e a força desumana dele eram o suficiente para impor medo em seus adversários e presas, ainda mais em Nella e William. Hvit rosnava, assumindo uma postura defensiva com o corpo inclinado para trás e as patas distanciadas para os lados.

Eu sabia que era tão bom pra ser verdade ao me dizer que levaria a garota até o Alfa. Mas vejo que você escolheu levá-la até a espada e matar os nossos irmãos no processo.

“Saiba que eu não deixaria que os outros encostassem um dedo nela. Eu mesmo levaria ela até o Alfa, nem que eu venha recorrer à enfrentar os meus próprios irmãos se for preciso!” respondeu William, criando coragem para confrontar o Lobisomem de Pelos Negros.

Você acha mesmo que eu cairia num truque desses?! Eu sei que você faria de tudo para proteger a garota de nós, Castanho. Mas não pense que as suas mentiras vão salvá-lo quando eu acabar com você e levar a sua cabeça pro Alfa.

William assumiu uma postura defensiva, colocando o braço direito na frente.

E depois disso, eu levarei a garota comigo! Ela terá um lugar ao lado do Alfa e expandirá a prole!

“Pode fazer o que bem quiser comigo! Mas eu não vou deixar que você leve a garota para o Alfa e tenha o mesmo destino que as outras Garotas de Vermelho! Terá que me matar pra conseguir levar ela daqui!”

Ótimo.” encerrou o Lobisomem de Pelos Negros. Parou de andar, projetando o corpo pra frente a fim de se lançar na direção do grupo. “Vou garantir que a sua morte seja rápida e dolorosa!

Os olhos de William arregalaram quando captou a projeção do ataque do monstro de pelos negros. O monstro deu um salto na direção dele, estendendo as garras e a boca estava aberta, mostrando os dentes afiados o bastante para cortar e dilacerar carne. Em um segundo, William conseguiu repelir o ataque, colocando os braços na frente.

Nella se assustou por um momento. Cobriu o rosto dela por medo de ser atacada pelo Lobisomem de Pelos Negros. Ao abrir novamente os olhos, notou o colega dela na frente, segurando o ataque do agressor.

“Nella, faça o seguinte: pegue a espada e saía correndo pra bem longe!” ordenou William, mantendo a postura defensiva enquanto segurava as garras do Lobisomem Negro.

“Não! Eu não vou te deixar aqui!” Respondeu Nella, determinada em querer ajudar o rapaz, mesmo recebendo a ordem de fugir.

“Nella, agora não é a hora de ser teimosa!” Respondeu o rapaz, sendo empurrado aos poucos diante da força do outro. “Você não faz ideia do quão forte ele é.”

William manteve-se firme com a sua postura defensiva. No entanto, ele sabia que não era o bastante para segurar o avanço do Lobisomem de Pelos Negros. A mão do garoto sangrava devido aos ferimentos provocados pelas garras do outro.

A força do Lobisomem de Pelos Negros superava o jovem rapaz. Ele via William se recuando à medida que a mão dele avançava mais. Num instante, o garoto empurrou o agressor com força, fazendo-o ir para trás.

Feito isso, William sentiu o corpo dele se transformar em lobisomem de pelos marrons. Antes que pudesse se transformar, o agressor desferiu um golpe, jogando ele pro lado. Nella se assustou.

“William!” gritou ela. A voz dela atraiu a atenção do monstro de pelos negros, avançando na direção dela.

Hvit se colocou na frente, rosnando para ele enquanto ainda tinha forças pra enfrentá-lo. Nella tinha a fala de William ecoando na mente dela, mandando-a correr para pegar a espada e fugir da caverna.

Pegue a espada e saía correndo pra bem longe!” dizia a fala de William na mente da garota enquanto ela corria na direção do Matador de Lobos.

O Lobisomem de Pelos Negros percebeu a tática dela. Os olhos dele cerraram com fúria e os dentes visíveis da mandíbula sanguinária. Reuniu as forças dele para correr na direção de Nella. Hvit tentou impedi-lo, mas foi empurrada com força, sendo arrastada na cobertura de neve e gelo.

Nella virou o olhar dela para trás. Os olhos arregalaram de horror ao ver o corpo do monstro ganhando tamanho à medida que corria na direção dela. Seguia correndo com todas forças que podia juntar para alcançar a espada.

Na fuga, a garota tropeçou no chão ao sentir a ponta da bota enroscar num buraco quase fundo. Caiu batendo com o peito no chão de neve, gelo e rocha, machucando o rosto e as mãos no processo. Tentou se levantar e prosseguir até a espada. No entanto para o horror dela, o Lobisomem de Pelos Negros chegava com toda velocidade, saltando na direção dela. Nella virou-se, ouvindo os sons de passos e grunhidos ganhando intensidade.

Agora você é MINHA!” gritou o monstro, mostrando as garras afiadas dele.

Nella gritou de medo. Sentiu que aquele momento era o fim cruel dela. Ser apanhada pelo lobisomem que matou o pai dela e levada para o covil deles para ser usada pra expandir a prole deles.

E naquele momento, o monstro sentiu algo derrubando ele pro lado direito. Um empurrão com o ombro dele vindo de um lobisomem de pelos castanhos. Era o William em sua forma de meio-lobo e meio-homem. Nella ficou surpresa ao ver o guardião dela de pé outra vez, mas sentiu um alívio, sabendo que ele faria de tudo para protegê-la.

O jovem lobisomem virou o olhar para Nella. Viu o balançar da cabeça dela para frente, informando-o de que ela estava bem. William ficou aliviado por aquele sinal, mas ouviu o som do agressor se levantando. Parte da neve que ele juntou nos pelos negros caiu no chão quando ele sacudia as mãos ao redor dos braços e do corpo. Em seguida, soltou um rugido alto para intimidá-los.

Nella, faça como eu te falei. Vá até a espada e saía correndo daqui!” ordenou William, mantendo o olhar dele no Lobisomem de Pelos Negros.

“Tá bem.”

Nella não parou por nada. Seguiu correndo até a espada encravada na pedra. Os dois lobisomens se encaravam, com William flexionando os joelhos em postura defensiva e o Lobisomem de Pelos Negros andando em círculos, mostrando os dentes para ele.

Não deveria ter trazido ela para cá, William! Aliás, não deveria ter interferido nisso tudo!” dizia o monstro de pelos negros, andando em círculos.

Eu não permitirei que encoste um dedo na garota! Terá que passar por mim se for preciso.” respondeu William em tom firme e sério.

Pois bem! Saiba que a sua morte será horrível!

O agressor permanecia andando ao redor deles. Trocava de direção enquanto o olhar permanecia fixo em William e depois em Nella. Ao parar, correu na direção da Garota de Vermelho, William saltou na direção do monstro, colidindo-se no impacto. Os dois lobisomens trocavam golpes e mordidas, com um deles tentando acertar o outro. Garras, dentes e patas eram as únicas armas que eles possuíam naquela batalha feroz.

Nella alcança onde a espada estava encravada. Permanecia fixa no lugar que encontraram pela primeira vez. Os olhos da Garota de Vermelho fixaram na lâmina de metal reluzente e prateado, subindo até o alto do cabo. Os detalhes gravados na guarda e no pomo indicavam que o ferreiro da espada trabalhou há anos.

A mão esquerda dela estendeu-se até o cabo, tocando com a ponta dos dedos a maciez do tecido que revestia a empunhadura, entrelaçando-os ao redor daquele objeto. Em seguida, foi a vez de colocar a mão direita para auxiliar com a remoção da espada. Nella sentiu que a espada estava bem encravada no chão rochoso. Tentou ao máximo reunir as forças dela para puxá-la, porém nada. Nella grunhiu, rangendo os dentes enquanto puxava a espada com força.

“Vamos!” Gritava Nella enquanto puxava o cabo da espada para perto dela, porém não surtiu efeito.

Enquanto isso, William e o Lobisomem de Pelos Negros lutavam para derrubar o outro. Vários golpes de garras, dentes e patadas eram desferidos. As patas traseiras deles se deslocavam de um lado pro outro, sustentando-os em meio àquele combate feroz. Arranhões e mordidas marcavam os corpos deles, com rastros de sangue escorrendo por aqueles lugares.

As mãos dos dois lobisomens pousaram nos ombros de cada um, exercendo força com a intenção de derrubar o outro. William tentava ao máximo manter a posição dele enquanto era empurrado para trás pelo agressor. Os dentes deles eram visíveis de suas bocas, rosnando furiosamente. O de Pelos Negros detinha a vantagem pela força física ser maior do que o jovem rapaz.

E quando os dois se encontravam em um impasse, o Lobisomem ergueu as duas mãos dele, desferindo golpes com as mãos fechadas nos ombros de William, fazendo-o perder sustentação. O corpo marrom tombava para baixo, sendo recebido com uma joelhada no abdômen, com William cuspindo sangue no chão branco. E por fim recebeu uma patada no rosto, seguido de um soco da mão direita do Lobisomem Negro, derrubando o garoto lobisomem no chão.

William caiu no chão coberto de neve e gelo. Tentou se levantar pra retomar a luta, porém foi atingido por um chute do agressor, sendo arremessado pro lado.

Nella ouviu o grito de dor do guardião dela. Os olhos dela se arregalaram de horror.

“William!” Gritou ela assustada, ainda mantendo as mãos na espada.

O chamado dela atraiu a atenção do Lobisomem de Pelos Negros. Avançava lentamente na direção dela. Nella tentou mais uma vez puxar a espada do chão rochoso. A aflição e o medo tomavam conta dela, fazendo ela ter dificuldades de tirar aquilo que correu para buscar do lugar em que estava. Os olhos dela ficaram encharcados de lágrimas.

“Vamos! Vamos!” chamava ela, sacudindo o Matador de Lobos do lugar enquanto puxava o cabo.

Nada adiantava. Tentou várias vezes exercer força para puxar a espada, mas viu que ela não saiu do lugar. Num instante, Nella ouviu uma risada sinistra e cruel vindo daquele monstro que matou o pai dela e o filhote de cabrito na floresta.

Esta espada não é sua para você reivindicar.” Chamou o Lobisomem de Pelos Negros, agarrando as extremidades da capa vermelha de Nella, puxando a pobre garota pra cair de costas no chão. Largou da espada Matador de Lobos no lugar enquanto ele a apanhou pelo pescoço, levantando-a para a altura dos olhos dele.

Os olhos da garota se arregalaram de medo, com as lágrimas escorrendo no rosto branco e assustado, tentando se libertar das garras dele que prendiam ela mas sem enforcá-la.

Olha só pra você: Uma pobre garotinha com medo, como da vez te encontrei na floresta.

As lembranças do encontro dela com o monstro de pelos negros voltaram com força. Ela viu o filhote de cabrito sendo morto aos olhos dela quando estava sendo acompanhada pela Hvit até o caminho de casa. A boca e as presas estavam ensanguentadas.

“Você! Sabia quem eu era naquele dia?!” Perguntou Nella, olhando assustada para o rosto de lobo do agressor, ainda suspensa no ar.

Mas é claro. Sei por causa do seu cheiro. O cheiro de medo que emanava de você de quando era pequenina.

Nella via o monstro sorrindo com os dentes afiados aparecendo da boca vermelha e macabra.

E eu lembro de quando o seu pai ficou para me enfrentar. Foi corajoso o bastante para um homem sozinho enfrentar um Ser-Lobo.

Dito aquilo, veio as lembranças daquela cena, com Stephen, pai de Nella, e o amigo dele Johann surgindo para resgatar a jovem menina. Durante a luta, o pai dela pediu para o amigo tirá-la daquele lugar, com Stephen ficando pra trás. Nella chorava, pedindo para não ser tirada do pai enquanto ele ficou para deter o Lobisomem de Pelos Negros.

A garota estava chorando diante daquela cena enquanto estava presa nas garras.

“Você… você matou o meu pai!” gritou a Garota de Vermelho, chorando ainda suspensa no ar.

As palavras dela ecoaram nos ouvidos do Lobisomem de Pelos Negros. “Sim. Eu matei ele.

Num instante, uma lembrança surgiu da mente do monstro, com Stephen disparando mais flechas nele, sendo desviadas com os braços dele ou esquivas quando o Ser-Lobo saltava de um lado para o outro com uma velocidade tremenda. O estojo estava com poucas flechas para serem disparadas, com o caçador retirando um machado de ferro com a haste de madeira para o combate.

Stephen viu que não tinha chances de enfrentá-lo nas condições que se encontrava, mas sabia que não podia deixá-lo ir atrás da pequena Nella. O Lobisomem de Pelos Negros soltou um leve rugido bestial, preparando-se para ir atrás dele. Stephen correu gritando para desferir um golpe na lateral do abdômen do monstro.

Os dois correram ao encontro mortal. O caçador humano lançou o golpe dele, sendo atingido pelas garras do monstro de cabeça lupina que partiram o machado, jogando Stephen com força para trás. E na finalização, o Lobisomem subiu pra cima dele, abocanhado o pescoço de Stephen. O monstro arrancava pedaços de carne e sangue do local. A mão esquerda de Stephen se mexia enquanto o corpo gemia de dor e ele tentava gritar, porém não conseguia por conta do sangue jorrar pra fora e inundar a boca do caçador. E com a mão se movendo de forma frenética, foi parando aos poucos até cair sem vida no chão.

O Lobisomem se levantou do local. A boca e os dentes dele estavam vermelhos de sangue. Vendo o corpo morto do pai da garota caído, o peito dele se mexia conforme a respiração ríspida e os batimentos acelerados. Colocou as mãos no chão, projetando o corpo musculoso para frente, soltando um uivo acompanhado de um som bestial. O som era alto que ecoou por toda floresta.

Johann e Nella ouviram aquele som assustador do monstro, sinalizando que matou alguém. E esse alguém era o Stephen, na qual ficou para trás, dando a vida dele para salvar as vidas de Johann e Nella. A garotinha chorava nos braços do outro caçador. Os olhos de Johann estavam arregalados de horror para aquele lugar que estavam.

Não havia mais nada a ser feito pelo Stephen. O olhar do amigo se fechou de luto, virando-se para a entrada, com o horizonte visível e limpo, com apenas algumas tendas da tribo. Dirigiu-se com a Nella nos braços, andando lentamente até a casa dela e da Dora.

////

Voltando na atualidade, o Lobisomem de Pelos Negros mantinha a jovem Nella presa pelas mãos dele. Ela tentava se libertar das garras, porém era inútil. Os pés dela balançavam no ar, tentando alcançá-lo para causar algum machucado. Não adiantou.

Ele foi corajoso o bastante pra me enfrentar sozinho enquanto o amigo dele fugia com você.” Disse o monstro de pelos negros, apertando a pegada das mãos ao redor do pescoço de Nella.

A moça sentia a respiração dela sendo privada. A vista ficava escura e as lágrimas escorriam no rosto dela. William, ainda na forma de lobisomem, tentava se levantar, reunindo suas forças remanescentes para enfrentar o agressor da mesma espécie. Colocou a mão direita na frente, arrastando-se pra frente. Ao tentar o próximo passo, caiu no chão outra vez. Os golpes que ele recebeu o destruíram de vez.

Porém, algo chamou a atenção dele. A companheira dele de quatro patas e forma lupina, Hvit, se dirigia cautelosa na direção do agressor que prendia Nella no ar. Mesmo que não esteja recuperada dos confrontos com os outros, estava disposta a dar a vida dela por eles.

Hvit…” disse William em tom baixo.

A loba reuniu o que sobrou das forças dela para uma nova investida no Lobisomem de Pelos Negros. Dava um passo de cada vez, evitando atrair a atenção dele.

Ainda no lugar, o monstro viu a Garota de Vermelho ainda sendo suspensa pela garra peluda e sufocante. Todas as tentativas dela de se libertar foram em vão. Nella se entregava ao desespero e ao infortúnio.

Eu poderia acabar com você da mesma forma que o seu pai e o seu guardião. Mas o Alfa tem planos para você.” disse o monstro de pelos negros. Manteve a mão e as garras prendendo o pescoço dela, agarrando o tecido da capa vermelha que o cobria. Os olhos dele permaneciam fixos no rosto choroso de Nella.

Nella tentava falar, mas o choro e a dificuldade de conseguir respirar a impediam de fazer isso. A vista estava ficando escura. Mal conseguia ver o que estava acontecendo com ela.

Você se mostrou como uma pessoa corajosa em chegar até aqui. Não é como as outras Garotas de Vermelho que apanhamos aqui na floresta. O Alfa pretende gerar uma prole de filhotes fortes e corajosos, através de você.

O Lobisomem estava concentrado em Nella que não percebeu a presença de Hvit após a loba se colocar em direção às costas dele. Hvit projetou-se para trás, saltando sobre os ombros do agressor. Ao aterrissar, abocanhou o ligamento e a jugular. O Lobisomem soltou um grito de dor, sentiu os dentes da loba atravessando e cortando pedaços de carne que revestiram o pescoço dele. Saiu andando em círculos, soltando a jovem Nella de sua mão.

A garota caiu de corpo no chão gelado e rochoso, tossindo por sentir os pulmões dela se enchendo de ar novamente. Esfregou com a mão aberta no local onde o monstro apertou ela.

Ao mesmo tempo, o agressor que tentou incapacitar Nella lutava para tirar a loba de cima dele. Hvit puxava a carne ao redor do pescoço, lesionando-o a ponto de fazê-lo sangrar nas feridas abertas. E quando a loba avançaria com mais uma mordida, o Lobisomem conseguiu apanhá-la pelo pescoço dela, tirando-a de cima dele. Hvit soltou um grito de dor por sentir as pontas das garras apanhando a região sensível dela. Nella e William ouviram os sons dela, com os rostos se levantando para ver a cena cruel.

O Lobisomem manteve a loba suspensa no ar, com as patas dela se mexendo enquanto latia e tentava abocanhar ele. Com uma bufada raivosa, o monstro de pelos negros apertou o pescoço da criatura com força, fazendo com que os ossos que ligavam a cabeça com o restante do corpo se partissem. Os olhos de Hvit se arregalaram de horror e a cabeça tombava levemente pra esquerda, sem expressar mais sinais de vida.

O que se seguiu foi um grito longo da jovem garota, vendo a pobre loba sendo morta cruelmente na frente dela. “NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!” Nella ficou devastada. A criatura lupina que uma vez a encontrou de quando era pequena até o momento em que seguiu a Grande Viagem agora jaz morta. E quando o jovem lobisomem de pelos marrom viu aquilo, sentiu uma amargura pelo seu semelhante. As pupilas dos olhos de William se contraíram de ódio.

Que criatura repugnante. Não entendo porque ela se arriscaria tanto por vocês.” disse o Lobisomem de Pelos Negros, ainda segurando o corpo de Hvit. Em seguida, ele a soltou da mão, deixando o corpo cair no chão com uma batida profunda. Os olhos da loba estavam abertos e a língua emergida da boca. Nella chorava por ter testemunhado aquilo. E quando o rosto da criatura sombria virou-se para a garota, os olhos dela se arregalaram de horror ao vê-lo avançando na direção dela novamente, abrindo as garras dele.

Eu vou levar você comigo. Não importa se eu vou levá-la acordada ou não, desta vez, não haverá ninguém para me DETER!” gritou o monstro de pelos negros.

Tudo parecia se repetir para Nella, de ser apanhada pelo monstro que causou trauma e sofrimento desde a infância dela. As garras dele desciam rapidamente na direção do peito dela. O que se seguiu era o grito de terror da pobre garota. Porém, algo chamou a atenção do Lobisomem de Pelos Negros novamente. Era um uivo alto e raivoso vindo de William, ainda na forma de lobisomem. Ele saiu correndo com as quatro patas no chão, mostrando os dentes afiados manchados de sangue para o agressor.

O agressor desistiu da garota novamente, virando o olhar para William, sendo recebido por ele em um choque violento. Os dois rolam no chão, desferindo novos golpes, chutes e mordidas. Nella assistia eles se enfrentarem naquela revanche, com o lobisomem de pelos marrom virando o olhar para ela.

Nella, pegue a espada!” gritou ele, sendo arrastado pelo outro, com as garras do monstro arranhando o rosto dele e sendo jogado pra frente.

Nella, por sua vez, não hesitou. Correu novamente em direção ao Matador de Lobos. Ao passar pelo corpo de Hvit, sentiu uma profunda tristeza pelo sacrifício da viajante lupina. Estava com a boca ainda aberta e os olhos abertos de horror.

Hvit…” chorava a jovem Garota de Vermelho. No entanto, ela sabia que o William precisava de ajuda. Correu até a espada, pegando no cabo dela para puxá-la. Feito isso, Nella reuniu toda a força dela, tentando mais uma vez tirar aquele artefato de prata do chão rochoso.

Ao mesmo tempo, William e o Lobisomem de Pelos Negros lutavam ferozmente. O guardião de Nella tentou abocanhar o pescoço do outro, sendo atingido no rosto e jogado pro lado. E quando o agressor viu Nella próxima da espada, foi-se levantar para detê-la. Porém, William o deteve ao abocanhar com os dentes o tendão esquerdo. Ao fazer isso, o agressor foi imobilizado antes que ele pudesse encostar novamente os dedos dele na pobre Nella. William subiu nele, desferindo vários golpes no peito e no rosto do Lobisomem de Pelos Negros.

Eu não vou permitir que você leve a Nella para o Alfa!” disse William em sua forma bestial, atacando o adversário com suas garras.

A frenesia de William subia à medida que desferiu vários golpes no adversário de pelos negros e cabeça lupina. Sangue jorrava das feridas, manchando o chão branco de vermelho. O peito dos dois lobisomens se mexia rapidamente conforme a respiração ficava intensa. Em seguida, o agressor caído repeliu o último golpe, derrubando William novamente no chão.

Enquanto isso, Nella puxava com força a espada do chão. Arqueava as costas dela para trás, sentindo que a lâmina permanecia presa por entre as rochas.

“Vamos! Eu preciso muito da sua ajuda!” gritava ela enquanto puxava com força o Matador de Lobos.

Várias imagens surgiram na mente dela. Lembranças do tempo que ela passou com os pais dela na tribo, da Anciã, de várias pessoas que ela conheceu, da Hvit e do William. Aquilo passou rapidamente enquanto lutava para conseguir retirar a espada do chão. Fechou os olhos, soltando um grito de esforço físico em sequência. E para a surpresa dela, sentiu a espada se libertando de seu repouso por entre as rochas. Nella sentiu o corpo dela indo um pouco para trás pelo recuo da puxada. Ao abrir os olhos, viu a lâmina prateada brilhando em seu rosto.

Os olhos de Nella se arregalaram ao ver os detalhes na espada e o acabamento dela de tão bem trabalhado. Como se a arma fosse de eras anteriores aos dela e ainda estando em boas condições por sua preservação. E a superfície da lâmina prateada era de uma pureza sem igual.

Ela é tão… linda…” dizia Nella em tom baixo, encantada pela espada enquanto a segurava pelo cabo.

A felicidade dela, no entanto, duraria pouco. Pois o Lobisomem de Pelos Negros obteve a vantagem novamente. Ao repelir o último ataque de William, fazendo-o perder equilíbrio e cair no chão, o monstro o agarrou pelas costas, prendendo o pescoço dele com o braço esquerdo e apoiando a mão direita dele no topo da cabeça do lobisomem de pelos castanhos. O garoto tentou se livrar da manobra de estrangulamento do agressor, abrindo a boca com os dentes e cerrando uns nos outros.

Vou acabar com você, William! Por tudo que você me fez passar!” Gritou o Lobisomem de Pelos Negros, enforcando William por de trás.

Nella virou o olhar dela para o guardião dela. Para o horror, ela viu o William sendo estrangulado. Ele, por sua vez, tentava se mexer para se libertar daquele ato assassino. Os braços e pernas se mexiam ainda no chão. Porém era inútil. Estava perdendo os sentidos e a respiração restrita. O Lobisomem de Pelos Negros suspirava enquanto apertava mais um pouco o jovem lobisomem castanho.

E depois que eu acabar com você, vou arrancar a sua cabeça e vou levá-la junto da garota humana!

Novas lágrimas escorrem do rosto dela. Sabia que não podia deixar o companheiro amado e protetor ser morto da mesma forma que a Hvit foi. Com a espada na mão, Nella correu na direção dos dois lobisomens, desferindo um golpe cortante na linha do braço esquerdo daquele que enforcava William.

A lâmina atravessou o braço dele, separando o antebraço do restante em um golpe certeiro. E no processo, o Lobisomem de Pelos Negros gritou de dor. Mas não foi uma dor como havia sentido antes quando enfrentou Hvit, William e os outros. Sentiu algo percorrendo na corrente sanguínea dele que parecia ter sido jogado em uma fogueira, queimando o corpo dele de dentro pra fora.

O Lobisomem soltou William no chão, gritando de dor por ter perdido o braço esquerdo. Segurou o local com a mão direita, tentando estancar o sangramento. E para a surpresa amarga dele, viu o ferimento jorrar sangue escuro. A prata começou a fazer efeito no ferimento, queimando ele por dentro como uma espécie de veneno ou óleo quente.

Ao olhar para frente, avistou a Garota de Vermelho portando o Matador de Lobos, com a lâmina banhada em sangue. Isso o fez ficar furioso com ela.

Sua maldita!” gritou ele, mostrando as garras da outra mão e os dentes afiados. Correu na direção de Nella, mas com intenções mais danosas. Por causa do ferimento, ele optou por tentar incapacitá-la ou causar algum mal nela.

Nella manteve-se firme em sua posição defensiva. Levantou a espada até a linha do ombro direito dela, apertando a pegada ao redor do cabo.

William se recompôs gradualmente do estrangulamento. Tossia com gotas de sangue sendo expelido da boca. Ouvindo o grito do outro e ao vê-lo correndo na direção de Nella, tentou se levantar para ajudá-la, caindo outra vez no chão por dor.

A garota viu o guardião dela caindo, mas precisou voltar a atenção no agressor. Quando ele chegou com a mão direita aberta para apanhá-la, ela se esquivou dos golpes dele em diversas direções, ainda mantendo a espada na mão. E quando o Ser-Lobo Negro lançaria o novo golpe, Nella esquivou-se pela esquerda, cortando a mão direita do Lobisomem pelo pulso.

Por conta da dor, o monstro recuou. Não conseguia conter os efeitos da prata percorrendo o corpo. E com a oportunidade aberta para finalizá-lo, Nella correu com a lâmina alinhada na direção do coração dele, atravessando-o com um grito. A ponta da espada atravessou as costas do Ser-Lobo, jorrando sangue no chão. Os dois viajantes puderam ouvir os gritos de dor da criatura sombria. Nella olhava para frente, apertando as mãos dela ao redor da espada, girando-a pros lados. A dor foi tanta que o monstro caiu de joelhos no chão. Olhou para o rosto de Nella uma última vez.

Você… você não é tão diferente de nós.” dizia o Lobisomem de Pelos Negros, tossindo de dor enquanto que a garganta dele estava sendo preenchida com sangue.

 Nella olhava com tristeza e raiva para o monstro de pelos negros que traumatizou a vida dela por matar o filhote de cabrito, o pai dela e a Hvit. Num instante, ela puxou com força a espada do peito dele, causando um gemido acentuado do corpo dele. Ele abria a boca para mostrar os dentes dele sendo encharcados de sangue, escorrendo por eles, pelos lábios e pelo pescoço.

Você está pronta para enfrentar o… Alfa…

Dito aquilo, o corpo do Ser-Lobo de pelos negros caiu de frente, tombando o peito e rosto no chão coberto de neve e gelo com um estroundoso “blam!” Nella olhava para o corpo, caindo sentada com uma expressão arrasada. As mortes do pai dela e da Hvit foram vingadas, mesmo ela sabendo que eles não seriam trazidos de volta à vida.

William, agora na forma humana e com o corpo machucado após o confronto com o Lobisomem de Pelos Negros, dirigiu-se a sua antiga companheira de quatro patas. Ele viu o corpo morto da loba, apanhando-a pelos braços. Os olhos dele estavam encharcados de lágrimas, escorrendo pelo rosto e bochechas dele. Quando a trouxe para perto dele, começou a chorar sem parar.

“Hvit…”

Nella viu o jovem William naquele estado. Devastado e enlutado pela morte da loba. Hvit era a uma coisa que ele poderia chamar de família por não ter crescido com uma mãe e que o pai era um monstro sanguinário. A garota se aproximou dele para um abraço reconfortante, sendo respondido por ela. Os dois passaram aquele momento de luto pelo sacrifício de Hvit.

////

Passado-se duas horas, os dois viajantes montaram um túmulo dedicado à loba que acompanhou a viagem deles na floresta. Nella rasgou um pedaço de sua capa vermelha para servir de cobertura para o corpo, enquanto que eles fecharam as paredes com várias pedras ao redor dela, e depois fecharam com pedras maiores por cima da loba.

Com o túmulo de Hvit erguida, os dois passaram aquele momento em silêncio, olhando para aquele monte de pedras. Nella limpava as lágrimas que escorriam do rosto dela.

“Já passou, Nella.” disse o garoto, ouvindo os soluços da viajante da capa vermelha. “Hvit cumpriu o seu papel na terra. Ela me criou quando eu era pequeno e te ajudou nos momentos mais difíceis.”

“Eu sei, William. Eu só… não consigo parar de pensar no porque ela se arriscou por nós para derrotar o Lobisomem Negro.”

“Hvit tinha os motivos dela em se arriscar de forma desnecessária. Além do mais, ela sabia que não tínhamos chances de derrotá-lo. Nem ela mesmo.”

Nella parou de chorar por um segundo, prestando atenção naquilo que o William falava.

“Além do mais, ela sentiu a coragem sua, desde o dia em que você entrou nesta floresta. E mesmo sendo uma loba selvagem, ela nunca abandonaria você.”

Os olhos de Nella se arregalaram por um momento. Depois disso assumiu uma expressão neutra, olhando novamente para o túmulo dela. Ao ajoelhar-se para o lugar feito de pedras, colocou a mão onde estaria a cabeça da loba.

“Hvit, eu quero que saiba que… foi um prazer ter conhecido você e por você ter feito parte da minha Grande Jornada e da minha vida.” disse a Garota de Vermelho, com algumas lágrimas escorrendo, porém sorrindo. “Aliás, de nossas vidas. Minha e do William. Sei que precisamos seguir adiante, mas eu quero deixar os nossos agradecimentos por tudo que fez por nós.”

William aproximou-se da colega dele, colocando a mão esquerda no ombro dela. Quando ela o viu, William estava sorrindo, sendo retribuído por ela.

“E, mesmo que não tivéssemos nos encontrado antes, o tempo que passamos juntos seria o suficiente para ser lembrado em nossos corações.”

Com aquelas palavras ditas por Nella, os dois se levantaram, olhando para o túmulo pela última vez. Não com tristeza, mas com agradecimento. Uma lágrima escorreu do rosto de William, sendo abraçado pela viajante e colega.

////

Passado dois minutos de luto, o jovem garoto olhava para o corpo do Lobisomem de Pelos Negros ainda caído no chão. Não expressava mais sinais de vida após o confronto dele com Nella. Os olhos de William expressavam certo desgosto por ele. Nella aproximou-se do garoto, carregando a espada embainhada na cintura e na mão esquerda.

“William?” chamou ela preocupada.

“Ele já foi o meu irmão em vida. Ele já se importou comigo uma vez. Mas agora, nem sei mais o que ele e os outros são pra mim.”

“William, mesmo que vocês tenham sido criados pelo mesmo progenitor, saiba que a minha tribo e as outras precisam ser salvas. E para isso, eu preciso ir enfrentar o Alfa.”

Ouvindo aquilo, William ficou com receio diante daquela resposta. “Nella, você não faz ideia do perigo que está correndo ao dizer uma coisa dessa. O Alfa é o mais forte de todos os lobisomens desta floresta.”

“Eu sei, William. Eu sei que talvez eu não consiga retornar, com vida ou não. Mas…” dizia ela, interrompendo a sua fala ao virar o olhar dela para baixo.

“Mas o quê?”

“ … se eu não fizer isso, o sacrifício de Hvit, da Grande Mãe e de todos na tribo teria sido em vão. Eu tenho que fazer isso. Eu estou pronta para enfrentar o Alfa.” respondeu Nella, levantando o cabo do Matador de Lobo.

William suspirou. Ele sabia que a Nella precisaria de ajuda e que ela estava certa sobre o sacrifício da loba e das outras Garotas de Vermelho.

“Tudo bem, Nella. Mas saiba disso: Você não está sozinha. Eu vou com você até o covil da matilha dele.”

Nella balançou a cabeça pra frente ao ouvir que o garoto lobisomem seguiria a viagem com ela para o lugar onde ele nasceu. Com a espada Matador de Lobos recuperada e usada desde tempos remotos para enfrentar os Seres-Lobo, sendo banhada com o sangue do Lobisomem de Pelos Negros, os dois viajantes deixam a caverna e o túmulo de Hvit por um outro caminho que o William já conhecia.

////

Três horas se passaram desde a partida de Nella e William da caverna onde residia a espada Matador de Lobos. Eles se encontravam no fundo da floresta, com a neve cobrindo algumas árvores e arbustos. Ventava pouco, com o ar gelado tocando os corpos deles. Nella tentava se proteger ao cruzar os braços. A capa vermelha, que antes era longa e bem feita, agora era uma porção de pano vermelho cortado pela metade, com vários buracos e pedaços rasgados. Ainda usava o capuz vermelho para cobrir a cabeça dela.

William notava os gemidos de frio da companheira. Enquanto eles andavam, ele resolveu emprestar o casaco dele, ficando com o peito exposto ao frio.

“Tome. Vista-se com isto.” pediu William, entregando o casaco dele pra Nella.

Nella ficou surpresa. “William, eu estou bem. Mas, por que está me dando o seu casaco?”

“Você está com frio. Como eu já te disse uma vez, vocês precisam de casacos e roupas pra se protegerem. Eu não me importo se eu vou passar frio.”

Nella não disse mais nada. Balançou a cabeça pra frente, vestindo o casaco dele como o solicitado. O frio não incomodou mais ela, pois os pelos que revestem a parte interna a deram uma sensação aconchegante.

Quando viu o colega, a garota notou os pelos dele crescendo ao redor dos braços e do peito. William sorriu levemente pra Nella, com ela rindo em seguida.

////

Ao mesmo tempo, os caçadores de Ulfric, o líder e Johann entraram nas proximidades do território dos lobisomens. Seguiram por um caminho diferente que o dos dois viajantes que entraram antes deles, contornando a passagem montanhosa e os desfiladeiros. Caminho este trilhado por Nella e William.

Os homens estavam um pouco nervosos à medida que avançavam mais naquele lugar. Sentiam que estavam sendo vigiados pelas criaturas da floresta, pelos Espíritos ou pelos Seres-Lobo. Ulfric manteve eles firme enquanto avançavam com suas armas e escudos nas mãos.

Johann olhava para os lados e ao redor dos outros caçadores. Não parava de pensar na Nella enquanto avançava em meio àquele ambiente gelado e inóspito.

Enquanto o grupo avançava, Ulfric avistou o caminho adiante se dividindo em dois. Um pela esquerda e um pela direita. Várias árvores se estendiam até o alto dos céus, formando paredes naturais que separavam uma seção da floresta com a outra.

“O caminho se divide em dois.” Disse o líder dos caçadores.

O amigo de Stephen se aproximou dele. Vendo aquilo causou uma sensação de incerteza ter que fazer escolhas.

“Estou vendo, Ulfric. Vai ser perigoso demais se formos nos separar para cobrir uma área maior e localizar Nella.”

“Ou talvez até onde os Seres-Lobo estão escondidos.” completou o líder dos caçadores.

Os demais caçadores permaneciam parados, esperando por alguma resposta de Ulfric. Os dois homens que estavam na frente olhavam um para o outro, com uma expressão séria e levemente fria. Em seguida, viraram-se para o grupo.

“Vamos nos dividir em dois grupos. Aqueles que forem comigo, pegamos a passagem pela direita, enquanto que o grupo de Johann segue pela esquerda.”

Os caçadores levantaram suas armas para o alto, com salva de gritos. Cada um se dirigia com seu respectivo líder, sem a necessidade de ser chamado por um deles.

Johann e o grupo dele seguiam com a passagem pela esquerda e o de Ulfric pela direita. Enquanto que eles marchavam, tiveram uma breve olhada por entre as árvores gigantes da floresta. Até que, ao passarem pela última árvore adiante, tudo seguiu-se fechado.

////

Enquanto os dois viajantes seguiam andando na floresta, Nella escutou um som bastante característico.

“Ei William. Você ouviu?” Perguntou a Garota de Vermelho. “Parece ser som de água borbulhante.”

“Tem uma fonte de águas termais. Costumava passar por lá quando eu era jovem.”

Ouvindo aquilo, Nella ficou surpresa, porém aliviada de saber de um lugar pra se banhar.

////

Chegando no lugar, Nella ficou impressionada. Era de fato uma fonte de águas termais. O vapor deixava o local pouco visível aos olhos de viajantes bisbilhoteiros.

“Podemos parar por aqui se quiser se banhar nessas águas.” Disse William, apontando para a fonte.

Nella virou-se para o garoto. “Valeu, William.”

O garoto resolveu virar-se para dar privacidade para a garota enquanto se desfazia da capa vermelha. Quando estava desabotoando o cinto e o vestido de cima, Nella virou o rosto para William.

“William, não precisa me dar um pouco de privacidade só porque eu sou uma garota. Pode entrar na água comigo.” disse Nella, desfazendo do vestido, expondo o ombro esquerdo.

William virou o olhar para a colega, respondendo-a sem se preocupar por vê-la nua. “Tudo bem Nella. Eu vou com você.”

Ouvindo aquilo, o garoto desfez de suas vestimentas, entrando na fonte de águas termais com a colega dele. Os dois sentiram o calor subindo em seus corpos e a água tocando em suas pernas e cinturas. Nella e William se banhavam, apanhando a água pelas mãos e esfregando em suas peles. Nella arrumava o longo cabelo castanho com os dedos dela.

Em seguida, William notava o corpo delgado da garota, apoiando as mãos dele na cintura dela. Nella se assustou, mas se acomodou com as carícias dele, com a mão esquerda dele subindo até o seio dela. Os rostos deles estavam próximos, com os lábios tocando um no outro. A mão de Nella subiu até a nuca dele, levantando o cotovelo esquerdo para cima. Depois disso, os dois ficaram de frente, um para o outro. Trocaram mais beijos, com as mãos dele percorrendo na cintura dela e as mãos dela ao redor dos ombros dele.

“Eu te amo, William Castanho.” Disse Nella em tom baixo e carinhoso.

“Eu também te amo, Nella Vermelho.” respondeu o garoto sorrindo para a amada.

Novamente, os dois se beijaram, com os corpos deles colados em um abraço aconchegante em meio a fonte de água quente.

////

No meio da floresta, os caçadores e Johann seguiam adiante na floresta. O antigo amigo de Stephen olhava para o alto dos galhos e folhas, assistindo-os balançarem gentilmente pelo vento.

“Tudo está quieto por aqui, Johann.” disse o caçador de cabelo preto, olhando para os lados. “Tenho a impressão de que estamos sendo vigiados.”

Johann concordou com o caçador por dizer aquilo. Os outros tiveram aquela mesma sensação enquanto avançavam. Lanças, escudos e machados permaneciam em posição no caso de serem emboscada. Embora uma parcela dos caçadores tenham experiência em caça, poucos teriam alguma chance de enfrentar os lobisomens. Incluindo Johann, mesmo que já tenha encontrado com o de pelos negros do tempo em que ele e Stephen resgataram Nella.

////

Após o banho, os dois viajantes vestiram suas vestes para continuar a viagem até o covil do Alfa. William olhava para Nella, sorrindo enquanto ela terminava de vestir a capa vermelha.

“Você fica bonita a cada dia que passamos juntos.” disse o jovem rapaz, sorrindo pela colega.

“Valeu, William.” Respondeu a garota com um olhar sereno. “Além do mais, você também é bonito, até naquela forma de lobo.”

“Que nada. Aquilo é pra causar medo do que trazer alguma proteção.”

Nella levantou-se, dirigindo-se ao jovem William. “Pra outros, pode ser. Mas pra mim, você é meu guardião.” disse ela, colocando a mão direita dela no rosto dele.

A cabeça do rapaz balançou pra frente com um sorriso. Deu um leve beijo de carícia e depois, os dois se aproximaram para uma atração romântica. Os olhos da garota se fecharam à medida que o rosto dele se aproximava dela.

Quando os lábios estavam para se encontrarem, vários sons de galhos e folhas balançavam, assustando os dois viajantes apaixonados.

“O que foi isso?!” Perguntou Nella, estando atrás do rapaz, assustada pelos sons e segurando o cabo da espada para desembainhá-la.

“Eu não sei, Nella.” respondeu William, olhando para a origem do som.

Os dois olhavam para frente. As árvores e arbustos se moviam pela movimentação vindo de alguém que se aproximava da posição deles.

“É algum lobisomem?”

William tentou identificar por meio do olfato apurado dele. O cheiro não era de alguém da mesma espécie que o dele.

“Não.” disse o rapaz, mexendo o nariz enquanto captava o cheiro no horizonte. “Não é de lobisomem este cheiro. Mas é… humano.”

Ouvindo a palavra “humano”, Nella ficou surpresa. Os dois viajantes não esperavam que haveria outros da espécie dela vagando na floresta. E mesmo que pudessem ser lobisomens disfarçados em plena luz do dia, William já afirmou que não podiam ser eles pelo cheiro.

Ainda sim, não deixava de ter a hipótese de que poderiam ser bandidos, mesmo que as chances fossem pequenas. Nella estava atrás do rapaz, carregando a espada Matador de Lobos nas mãos. William estendeu a mão direita na frente dela, olhando para ela com uma expressão calma, porém séria.

“Nella, fique atrás de mim.” disse o garoto.

A Garota de Vermelhos balançou a cabeça dela pra frente. Manteve a espada guardada na bainha, esperando o momento de desembainha-la quando a vida dela for ameaçada e William não conseguir protegê-la.

Em seguida, os arbustos balançaram, com os galhos e folhas sendo empurrados pros lados quando várias figuras humanas emergiram daquele lugar. Era o grupo de caçadores que acompanhavam Johann.

William olhava friamente para eles enquanto avançavam calmamente, mostrando os dentes afiados de sua boca e as garras que estavam se formando. Os passos que eles davam o deixaram nervoso. Armas e escudos estavam prontos para atacá-lo caso reagisse de forma hostil.

Nella viu a situação ficar um pouco instável. O olhar dela expressava temor de que o guardião dela entrasse em frenesia e levasse a um fim trágico. Como resposta, colocou a mão esquerda dela no ombro dele.

“William, pare!” Chamou ela. A fala da Garota de Vermelho acalmou o jovem rapaz, assumindo uma postura passiva. Os caçadores ouviram um chamado similar, vindo de trás a ponto de abaixar as armas. E atrás deles surgiu o homem que esperava encontrar a jovem Nella depois de vários anos, desde a morte do pai dela.

“Nella.”

-x-

Página principal onde você pode encontrar os capítulos disponíveis (Das Mädchen in Rot):

Capítulo anterior:

Próximo capítulo:
Em breve.

Comentários