Antony in Warhammer 40K - Chpt 2 [Portuguese - BR]
Antony in Warhammer 40K [Portuguese - BR]
Descrição:
Antony em Warhammer 40K é uma pequena série fanfic, criada por Antony Bindilatti com inspiração em alguns crossovers de diversas séries de filmes, seriados e jogos com Warhammer 40K – criada por Rick Priestley e Andy Chambers da empresa Games Workshop.
O foco da história aborda o jovem Antony – protagonista de Antony's Triviality; em mais um dia qualquer, até encontrar um portal dimensional com energias estranhas para o mundo dele. Contudo, algo chamou a atenção dele a ponto de investigar o outro lado. Para a surpresa do herói, ele embarca numa jornada em um universo completamente diferente, na qual a Terra era um planeta tomado por várias megacidades e tecnologia rudimentar, ao mesmo tempo avançado para a época; e a civilização humana – conhecida como o Império do Homem; seguia uma doutrina militar religiosa austera e que despreza tudo aquilo que não fizesse parte do Império, como alienígenas, mutantes e hereges, decretando guerra total com esses seres.
E para completar a surpresa desagradável, Antony descobre que seus poderes e habilidades sumiram, na qual precisava lutar não somente pela sobrevivência como também para descobrir um meio de voltar para o universo dele e cortar a conexão com aquele mundo.
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A tensão encontrada por Antony com os Orks ficou para trás. Agora ele não corria mais risco de vida nas mãos daqueles seres brutais de pele-verde. Entretanto, ele ainda estava lutando para sobreviver, a bordo de uma nave Marauder a caminho de uma espécie de hospital de campo, com mulheres trajadas em armadura branca e prateada para socorrê-lo, administrando os primeiros socorros e ligá-lo em várias máquinas de suporte vital a fim de manter os órgãos vitais funcionando.
Uma das mulheres que cuidava do jovem humano era a moça de cabelo curto prateado. Ela segurava a bolsa de plasma, administrando gradualmente aquele líquido na veia do braço direito de Antony. Quando acompanhava o atendimento médico, os olhos dela estavam fixos no rosto dele. Apesar de fazer parte de um destacamento de guerreiras que não demonstram emoção perante qualquer pessoa, exceto por uma espécie de rancor xenofóbico combinado com uma crença ultranacionalista e fanatismo sem precedentes perante aqueles que não fazem parte do Império do Homem, ela demonstrava uma certa preocupação pela vida do garoto após receber dois golpes esmagadores do Nob Ork.
As outras Irmãs moviam-se pela cabine em silêncio. Nenhuma conversava. O único som além dos motores era o bipe rítmico dos monitores vitais.
A nave continuava voando em direção a base na qual tinha saído. Os motores rugiram, cuspindo chamas do bocal conforme o piloto mantinha a potência ao máximo. A viagem seguia um pouco turbulenta, apesar de não ter sinais de mau-tempo nem de possíveis agressores vindos do ar ou da terra que possam comprometer os tripulantes. Até que a nave era acompanhada por outras do mesmo modelo e facção.
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Quinze minutos depois, a nave aterrissou. Antony foi transferido para um leito em um hospital de campo improvisado dentro do assentamento. Era escuro e frio. Havia vários aparelhos de suporte vital, computadores com design bastante rudimentar, vários leitos hospitalares, com a maioria deles desocupados. Os olhos dele foram-se abrindo lentamente. Para a surpresa dele, uma parte do quarto estava iluminada.
Não havia muitas pessoas próximas para ele poder conversar, exceto um homem estando no mesmo quarto, observando-o de pé e com os braços cruzados nas costas dele. Pelas roupas de cor cáqui, trajando um peitoral, capacete e algumas peças de armadura verde, tratava-se de um guarda. Portava também um fuzil com design diferente em relação às armas daquelas mulheres. Era verde, assim como as peças de armadura, com poucos na aparência de metal, um quebra-chamas no cano e uma águia de duas cabeças gravada em ouro no fuzil.
Antony notava que ele não saía do lugar, muito menos não desgrudava o olhar nele, esperando que fosse fazer um movimento em falso para pegar o fuzil e abrir um buraco no peito do herói. Notou que estava sem suas roupas, sem sua capa, suas botas e sem sua espada Archeus. Só tinha alguns acessos intravenosos ligados no corpo, suprindo soro, plasma e algumas medicações. Antony ficou um pouco nervoso, pois não gostava de ter essas coisas implantadas nele, mesmo que seja para propósitos de saúde.
O guarda permanecia imóvel. Diante disso, ele teve uma ideia para chamar a atenção dele.
“Ei, você aí.” chamou Antony. O guarda não reagiu. “Você aí. Pode chamar um médico? Preciso… ah, usar o banheiro.”
O guarda não reagiu. O olhar do rapaz, desviando-se para a esquerda, dizia que o truque não demonstrava efeito. Em resposta, Antony forçou um sorriso fraco.
“Olha, você está fazendo um bom trabalho. Que tal a gente fazer um acordo? Você me ajuda a sair daqui, me leva de volta pra casa, e eu te pago uma bebida. O que acha?”
Igual a antes, o guarda não se mostrou interessado na pequena proposta do Antony. Virou o olhar para a esquerda, ficando sem opções para conseguir sair daquele lugar. Novamente, tentou ser sério.
“Muito bem. Detesto ser grosso. Mas por que diabos estão me mantendo preso aqui?”
Quando o garoto faz esta pergunta, ele escuta um som emergindo da porta se abrindo, com um chiado hidráulico profundo. Os olhos dele voltaram para a origem daquele barulho, tendo a visão das guerreiras surgindo no quarto do hospital. Ao todo eram quatro delas. Todas usavam o mesmo uniforme e peças de armadura. Cada uma tinha um penteado diferente.
A primeira tinha cabelos ligeiramente longos de cor castanho e com algumas faixas brancas que se estendiam até o queixo. O rosto apresentava algumas rugas e cicatrizes no lado direito do lábio inferior, na sobrancelha e na bochecha esquerda. Tinha uma espécie de implante na orelha direita, onde que algum momento foi atingida, causando surdez parcial. O traje dela apresentava mais ornamentos do que as demais, fazendo dela a superior do grupo.
As outras duas tinham a mesma idade que a guerreira do cabelo com franjas prateadas que resgatou Antony dos Orks, porém a segunda era loira com cabelos longos e lisos, estendendo até a linha dos ombros. E a terceira tinha cabelos castanhos-claros com penteado do tipo pajem. Ambas tinham quase o mesmo porte físico: busto de tamanho médio para grande, pernas fortes, cintura e barriga delgada.
Vendo elas se alinhando de lado a lado, Antony murmurou. “Rapaz, parece que eu vou ter uma companhia bem calorosa.”
A comandante das guerreiras virou-se para o guarda que monitorava o jovem herói da Terra.
“Bom trabalho. Pode se retirar. Nós assumimos daqui.” ordenou a guerreira mais velha.
“Sim senhora.” respondeu o guarda Imperial, saudando-a para depois deixá-las a sós com Antony.
A porta se fechou após a saída do homem uniformizado. Em seguida, o olhar do garoto voltou-se para elas, com a guerreira mais velha se dirigindo um passo adiante.
“Eu sou a canonisa Dolores.” introduziu-se a comandante, em seguida introduziu as demais guerreiras. “Estas são Clara, Rachel e Danúbia. Somos as Irmãs de Batalha da Ordem do Sudário Argênteo a serviço da Eclesiarquia.”
Dolores, a comandante do grupo, estava posicionada com a segunda da fila, com a guerreira ao lado direito, de penteado pajem de cor castanho-claro sendo a Clara; a primeira ao lado esquerda sendo a Rachel, com cabelo loiro; e a Danúbia sendo a última à esquerda.
“Eu agradeço o socorro que vocês me prestaram naquela hora e tudo mais.” disse Antony, inclinando-se para frente com uma expressão de honestidade. “De verdade. Mas eu preciso voltar para o meu mundo.”
“Você está sob supervisão Imperial. Até responder nossas perguntas de forma satisfatória, não sairá deste lugar.”
Antony arqueou uma sobrancelha.
“Supervisão? Por quê?”
“Você não está em posição de fazer perguntas.” respondeu Dolores, a voz fria como aço. “Está em posição de responder. Quem é você? Como chegou aqui? De onde veio?”
Antony se encontrava sem escapatória perante as perguntas feitas pela comandante das Irmãs de Batalha. O jovem endireitou-se o máximo que os tubos permitiam.
“Meu nome é Antony. Sou um paladino a serviço da Luz.”
Clara inclinou a cabeça, curiosa.
“Paladino da Luz?”
“E onde estavam os seus poderes de paladino, Antony? Por que você não os usou?” perguntou Dolores, sem nenhum tom de zombaria. Apenas frieza.
“Eu tentei usá-los. Não funcionaram. Sumiram… junto com a minha espada.”
Dolores não pareceu impressionada.
“Dispense isso. De onde você veio e como chegou até este mundo?”
“Eu estava fazendo minha patrulha de rotina no meu mundo…” interrompido pela guerreira experiente.
“Qual mundo?”
Antony suspirou. “Terra.”
“‘Terra’?” Interrompeu Danúbia, curiosa por ouvir esse nome.
“Isso. Terra. Terceiro planeta do sistema solar.”
“Ele está falando da Sacra Terra. Só que pelo nome antigo.” falou Danúbia para Clara em tom baixo. Entretanto, a Canonisa olhou para elas com um cenho no rosto, solicitando um silêncio para elas.
“Continue.” Pediu ela de forma seca.
“Encontrei um portal num beco. Energia magenta e roxa. Uma voz me chamou. Eu… entrei.”
As quatro Irmãs trocaram olhares rápidos.
“Que tipo de portal?” perguntou Dolores.
“Era… diferente de qualquer coisa que eu já vi. Não era arcano. Não era da Luz. Era… denso. Frio. Errado. Dentro dele havia estrelas distorcidas, destroços de naves, planetas mortos… e olhos. Muitos olhos. E mãos tentando me agarrar. E no fim, eu cheguei aqui, neste mundo estranho, diferente do meu. Cercado por areia, rochas e depois os Orks.”
O silêncio pendurou na sala. Ninguém se pronunciou naquele instante. Rachel foi a primeira a falar, quase em sussurro.
“Irmã… você acha que…”
“Não há dúvida.” cortou Dolores. “Foi um Portal do Warp.”
Antony franziu o cenho.
“Desculpa. Portal do quê?”
“O Warp.” explicou a Canonisa. “A dimensão imaterial. Poucos conseguem abrir passagens estáveis por ele. E quase nenhum sobrevive quando a passagem é instável. Você foi chamado por algo que habita lá dentro.”
Diante dos olhos das guerreiras em processo similar à de interrogatório, uma sensação de inquietude emanava entre elas. Um Portal do Warp aberto deste mundo com um mundo cujo universo e época são diferentes, e com uma pessoa atravessando após ser chamada por agentes do Caos, isto era um sinal bem claro de que uma resposta rápida precisa ser tomada.
“Vamos comunicar isto à Eclesiarquia e à Ordo Hereticus. Eles decidirão o que fazer com ele.”
Dolores e as outras viraram-se para a saída. Confuso a respeito da resposta da comandante das Irmãs, Antony tentou se levantar.
“Espera. Eu quero ajudar. Eu não sou…”
“Você está sob supervisão Imperial.” interrompeu Dolores. “Até ordem em contrário, qualquer tentativa de deixar este local será considerada ato de heresia. E heresia se paga com a morte.”
O olhar dela não deixava espaço para discussão.
“Nem ao menos posso usar o banheiro?” perguntou Antony, já sabendo a resposta.
“Existem tubos no leito para isso. Não se preocupe.”
As quatro Irmãs se retiraram. O guarda voltou ao posto. Antony ficou sozinho, olhando para o teto frio, a sensação de prisioneiro se instalando de vez.
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No lado de fora do hospital, as Guerreiras Sororitas rumavam pelo corredor escuro e frio, repleto de arquitetura gótica e arcos sinistros. A comandante delas estava na frente, com Rachel e Clara nos lados e Danúbia atrás.
“Foi um erro ter trazido ele para cá.” Disse Dolores com uma expressão séria e fria.
“Por que diz isso, irmã?” Perguntou Clara.
“Um garoto humano, que diz ser da Terra de uma época em que a humanidade se matava por razões insólitas, ter chegado pra cá por meio de um Portal do Warp, é um sinal claro de que as forças do Caos estão planejando uma nova forma de ataque ao Império do Homem. E ele pode ser um agente do Caos!”
“Mas, senhora, não creio que o Antony possa ser capaz de uma coisa dessas. Talvez ele possa…” dizia Danúbia para a comandante, porém foi interrompida pela mesma, parando de andar no meio do corredor.
“Não posso contar com esse tipo de coisa, Danúbia. Ele pode ser um herege, e você deve saber muito bem disso.” apontou a guerreira de elite.
“Mas também não podemos ter a certeza de que ele teria conspirado com as forças do Caos antes de ter sido emboscado pelos Orks.” disse Rachel.
“Apenas um inquisidor pode nos certificar disso. Precisamos notificar a Ordo Hereticus para averiguar a história dele. E até lá, ninguém tem a permissão de visitá-lo por qualquer motivo, exceto quando eu estiver por perto. Eu fui clara?”
“Sim senhora.” Responderam as outras.
“Ótimo. Vamos indo.” Concluiu Dolores.
Dolores e as outras guerreiras prosseguiram até a sala de comunicação para entrarem em contato com a Eclesiarquia. Danúbia virou seu olhar para trás, pensando no jovem humano que resgatou dos Orks. Porém, retomou com o curso junto do grupo.
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A noite caiu no assentamento. Os guardas monitoram todo o perímetro com suas armas carregadas e em prontidão perante uma invasão ou um ataque de alienígenas ou de alguém que seja associado aos Deuses do Caos.
O quarto estava escuro. Antony dormia inquieto em seu leito. Ainda estava sem suas roupas, sentindo o ambiente ao redor dele ficar gelado. Porém, algo começou a tirá-lo do sono dele. Sussurros ecoavam na mente de Antony enquanto ele virava de um lado para o outro. Foi então que as vozes começaram. O ar ao redor dele esquentava.
“Então, você finalmente chegou.” Disse uma voz misteriosa, grave e cruel, misturada com o crepitar de chamas, ardendo e queimando conforme ele falava. Khorne, o Deus da Guerra, do Sangue e da Matança.
Em seguida, um sibilo frio e meticuloso.
“O humano de um mundo além da influência do Imperador.”
Tzeentch, o Deus das Mudanças, das Ilusões e dos Feiticeiros.
Antony tentou se concentrar no sono. Porém as vozes que percorriam na mente dele o deixaram agitado e conturbado.
“Quem… quem são vocês?” Dizia Antony em tom baixo, confuso por saberem o nome dele e da chegada.
Depois, um tom andrógino, doce e venenoso ao mesmo tempo.
“Nós somos os Deuses de imenso poder. Bem antes do Falso Imperador.”
Slaanesh, o Deus do Prazer, da Luxúria e dos Desejos.
“Falso Imperador?” perguntou Antony, tentando dormir e não sabia o porquê aqueles seres que falavam com ele chamavam a figura central da humanidade que fundou o Império de o Falso Imperador.
Por último, uma voz úmida, cheia de secreção e doença.
“O Imperador da Humanidade não passa de um cadáver fétido sentado em seu trono dourado.”
Nurgle, o Deus da Morte, das Doenças e Decadência.
“E ele é uma pessoa, como qualquer outra. Carne, ossos e sangue.” completou Tzeentch.
“Não passa de uma imagem vazia na qual muitos humanos deste universo seguem cegamente.” completou Slaanesh.
“Nós somos a verdadeira manifestação dos poderes que emanam deste Universo! A verdadeira ordem!” completou a voz ardente e violenta de Khorne.
Antony transpirava enquanto dormia. As vozes começaram a deixá-lo nervoso.
“O que vocês querem de mim?”
“Você não pertence a este universo. Veio de um outro mundo, que também cairá sob nossa influência.” respondeu Nurgle em meio as tossidas e baforadas pestilentas.
“Você tem um potencial diferente de muitos seres deste universo. Muito além dos dogmas restritos que o Imperador impõe sobre seus peões.” disse Tzeentch em tom frio, meticuloso e sibilante.
“Podemos te oferecer qualquer coisa que você desejar.” Respondeu Slaanesh.
Em seguida, os outros Deuses do Caos que sussurravam nos ouvidos de Antony falaram ao mesmo tempo. Os olhos dele se cerraram forçadamente. Os sussurros ecoavam na mente dele, deixando-o conturbado. As imagens vieram como golpes. Ele se viu como campeão de cada um dos Deuses do Caos.
A primeira era do jovem garoto estando de pé, trajado para guerra e com uma espada apontada para o horizonte repleto de nuvens vermelhas e laranjas. Ao redor estavam várias cidades destruídas, com prédios caindo aos pedaços após uma guerra de escala global como nunca antes visto. Os olhos de Antony brilhavam na cor vermelha, os dentes eram pontiagudos e afiados como serra, o corpo dele era formado por músculos sobre-humanos, com alguns espetos de osso emergindo da carne e garras de metal no lugar de sua mão esquerda. No cinturão, ele carregava cabeças de pessoas abatidas por ele, sejam criminosos, líderes políticos ou até mesmo seus antigos companheiros.
“Armas de guerra e mundos conquistados.” disse Khorne, mostrando o jovem Antony a imagem dele como campeão da guerra.
A segunda era dele portando uma espécie de cetro ou cajado com uma pedra mágica. Ela brilhava na cor azul, assim como os olhos dele. Ele se via em uma câmara escura, sendo iluminada por vários relâmpagos invocados ao redor dele e do alto do teto. As vestes dele consistiam em mantos longos adornados com gemas, símbolos mágicos e energia, com ombreiras e peças de armaduras com design egípcio. Atrás de Antony, havia uma manifestação de Tzeentch. Semelhante ao patrono, a criatura se assemelhava a um pássaro de duas cabeças com braços e pernas humanoides. O pescoço era longo e as penas eram azuis-escuros.
“Poder imensurável e conhecimento supremo.” disse Tzeentch, mostrando a imagem do herói como o mais poderoso feiticeiro sob as ordens dele.
Na terceira, ele se via vagando em um mundo completamente devastado por uma espécie de praga virulenta, extinguindo a vida por todo o planeta. Os que puderam sobreviver eram corpos ambulantes de carne podre, sem esperança de serem socorridos ou curados. Já para o jovem herói, o corpo dele era de coloração acinzentada e esverdeada, com cicatrizes que não se fecharam e feridas contaminadas, repletas de pus, secreção e ácido. Porém ele não demonstrava dor ou desconforto por elas.
“Vida eterna e sem dor.” disse Nurgle, mostrando a imagem do herói como uma criatura imortal.
Na última imagem, ele se via sentado em uma espécie de trono, com o corpo repleto de tatuagens, piercings e várias desconfigurações, como alguns rostos emergindo do peito dele, os dedos da mão esquerda eram alongados do que as da direita, a língua bifurcada que se assemelha a uma serpente e chifres no alto da testa. Ele portava um cálice de vinho na mão direita. Ao redor dele estavam várias mulheres com poucas vestes, acariciando o corpo dele; e vários tesouros e riquezas.
“Riquezas infindáveis e prazeres insaciáveis.” disse Slaanesh, mostrando a imagem reservada para um futuro repleto de prazeres excessivos para Antony.
Antony tentava ignorar as imagens enquanto forçava as pálpebras a se fecharem.
“Você pode ser o que quiser.” sussurraram juntos. “Basta se entregar.”
Antony tentava se debater na cama, resistindo àquelas imagens e vozes.
“Não. Não, por favor. Me deixem!” gritava o herói, se debatendo na cama.
“O Imperador da Humanidade não tem poder sobre você. Você tem o poder para escolher. Se entregue a nós.”
“Não!” gritou Antony, sentando-se na cama, o corpo coberto de suor. “Eu nunca me juntarei a vocês!”
O quarto voltou ao silêncio. Não havia ninguém ao redor dele. Só restou uma última frase, quase um eco distante:
“Você nunca escapará de um de nós.”
A respiração do rapaz estava cortada e os batimentos cardíacos bem acelerados devido à visita daqueles Deuses Sombrios e daquelas imagens sinistras de possíveis futuros para ele caso venha sucumbir a influência deles. E com a partida deles por ora e estando sozinho, Antony optou por voltar a dormir. Teve receio de fechar os olhos e ser recebido novamente pelos Deuses Sombrios.
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Na sala de comunicação do acampamento, a canonisa Dolores sentou-se para acessar o dispositivo de comunicação Vox para entrar em contato com a Ordo Hereticus. Por sentir que Antony podia ser um agente do Caos, chamando um inquisidor da Ordem poderia ser essencial para comprovar se ele é de fato um ou não, mas que teria alguma informação para ser utilizada a respeito da forma como ele chegou neste universo.
O aparelho estava ligado. Dolores aguardava o sinal alcançar uma das naves ou uma das estações de operação da Ordo Hereticus. Até que uma delas respondeu ao chamado, abrindo um canal de comunicação com a comandante das Irmãs de Batalha.
“Aqui é a canonisa Dolores das Irmãs de Batalha da Ordem do Sudário Argênteo. Preciso falar com um dos inquisidores da Ordo Hereticus. Isto é um assunto de extrema urgência.” chamou a canonisa pelo dispositivo Vox. Podia ouvir um pouco de estática, porém o sinal era claro de ouvir.
A conexão finalmente se estabilizou. Na tela, surge um homem com um implante ocular no lugar do olho esquerdo, uma espécie de dispositivo instalado na garganta, na qual não falava mais pela boca, e vários braços mecânicos nas costas dele. Tratava-se de um Serviçal dos Mechanicus trabalhando na Ordo Hereticus.
“Ah. Canonisa Dolores.” respondeu a figura humanoide na tela do dispositivo. “Fazia um tempo que você não aparecia ou entrava em contato com a Ordem.”
“Blix, você sabe que eu me canso fácil ter que ficar escutando essa sua voz.” respondeu a canonisa sem paciência com Blix, o Serviçal dos inquisidores. “Eu preciso falar com o inquisidor Val Merkutius e eu preciso que seja agora.”
“Ah, Dolores. Você sabe que o inquisidor anda ocupado demais para qualquer tipo de coisa que vai para a Ordem.” dizia Blix por meio do dispositivo. O tom de voz dele expressava certa desaprovação diante dela.
“Não me interessa. Preciso falar com ele AGORA!”
Blix suspirou de insatisfeito diante da fala de Dolores. “Ótimo. Como quiser, Dolores. Mas o inquisidor não gosta quando é chamado durante as reuniões dele…”
Quando o Serviçal estava para completar sua fala, é interrompido por uma voz grave vindo de trás. Virando para ver, era um homem alto de pele branca, com uma parcela da cabeça sendo cabos de metal ligados no topo, um rosto de um homem em seus 67 anos, cheio de rugas e cicatrizes de batalha, uma barba grisalha que foi feita recentemente e olhos de cor âmbar. As vestes consistiam em um casaco pesado de algum tipo de tecido, botas grandes de cor castanho-escuro, luvas pretas e ombreiras que se assemelhavam às de um oficial da marinha do século 19. Usava o mesmo símbolo que adornava as ombreiras das Irmãs de Batalha: um grande “I” maiúsculo com uma caveira no meio. Teve o braço direito e os dois dedos da mão esquerda substituídos por implantes cibernéticos.
“Eu assumo daqui, Blix. Deixe-nos.” disse o inquisidor, ordenando o Serviçal a deixar a sala. Blix acatou a ordem de seu mestre.
Nesse meio tempo, Dolores observava o inquisidor Merkutius assumir seu assento.
“Dolores. Espero que seja importante o bastante para interromper minha meditação.” disse ele com uma expressão fria e amarga.
“Senhor. Encontramos um sobrevivente durante a operação contra os Orks. Um humano. Ele alega ser da Terra… de uma época anterior ao Império. E afirma ter chegado aqui através de um Portal do Warp.”
O Inquisidor inclinou-se para a frente. O olho biônico apertou-se.
“Um Portal do Warp. Você tem certeza?”
“Tenho. Suspeito que possa ser um agente do Caos. Ou, no mínimo, um vetor de contaminação.” respondeu a canonisa séria, colocando as mãos dela na mesa.
“E esse ‘garoto que veio da Terra’, ele ainda está com você?”
“Sim. Ele continua no quarto de hospital, ainda sob supervisão Imperial.”
O Inquisidor Merkutius se afastou da tela, apoiando suas costas na cadeira. Com uma expressão menos agressiva, porém ainda fria, deu sua próxima ordem.
“Muito bem. Enviaremos uma nave com escolta para recolhê-lo.”
Dolores mantinha o olhar dela no seu superior pela tela.
“Até lá, ele não sai daquele quarto sob nenhuma circunstância. Se demonstrar qualquer sinal de corrupção… eliminem-no. Hereges não têm direito de viver.”
“Entendido, senhor.” saudou a canonisa.
Merkutius encerrou a transmissão do dispositivo Vox pelo lado dele. Com as ordens recebidas e informada da frota inquisitória a caminho para buscar Antony, Dolores deixa a sala para se reunir com as outras Irmãs de Batalha. Os olhos dela emitem um brilho ardente, com o pensamento de que o rapaz que ainda reside no quarto de hospital seja um herege ou um agente do Caos, independente das alegações contrárias vindo dele. Ela tinha ordens de matá-lo caso as suspeitas fossem verdadeiras. Por ora, estará no aguardo pela frota e deixar com que o Inquisidor Merkutius assumisse o caso.
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No quarto do hospital, Antony permanecia acordado, encarando o teto depois da aparição súbita dos Deuses do Caos. Pela primeira vez desde que atravessou o portal, ele tinha certeza de uma coisa: Aquele universo não queria apenas matá-lo. Queria torná-lo algo muito pior.
“Eu tenho que sair daqui!” murmurou ele em seus pensamentos.
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